THIAGO HENRICK - 26 anos, moro em Maceió, AL, sou um pisciano típico, que viaja mais que o Bobby e sofre as consequencias disto sempre. Neste blog acompanharão os pensamentos e delírios deste que vos escreve, em doses diárias de besteiras e músicas -chaves....That's It!

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Domingo, Setembro 30, 2007

MÚSICA SEMANA
Diretamente do filme NÃO POR ACASO, excepcional, do diretor Philipe Barcinski. O longa mexe muito com a questão de "será que seria diferente se tivéssemos 2 segundos a menos em nossas jornadas". Realmente, uma das melhores produções cinematográficas brasileiras que contemplei, com Rodrigo Santoro, Leonardo Medeiros (impagável, sem dúvidas o melhor desempenho do filme) e minha linda Letícia Sabatella (como uma executiva estressadíssima!). Também gira em torno da possibilidade de podermos mudar nossos destinos...contrariando uma possível atitude passiva que deixa os acontecimentos ocorrerem por si só...
Sobre a música, é moldada num funk-samba com grooves bastante modernos, sem perder a genialidade, mantendo ritmo sincronizado com a excelente letra (um funk que não ofende o intelecto, diga-se de passagem). O filme tem muitas músicas excelentes, aliás. Kátia B, estreando pelo terreno do EnTHulho, entretanto, é quem irá representá-lo.



Só Deixo O Coração Na Mão De Quem Pode
Kátia B

Só deixo meu coração na mão de quem pode
Fazer da minha alma suporte para uma vida insinuante
Insinuante anti tudo que não possa ser
Bossa Nova Hard Core
Bossa Nova Nota Dez

Quero dizer, eu to pra tudo nesse mundo
Então, só vou deixar meu coração, a alma do meu corpo, na mão de quem pode
Na mão de quem pode e absorve
Tanto no céu que no inferno
Inspiração de Mutação
Da vagabunda intensão
De se jogar na dança absoluta da matança do que é tédio, conformismo, aceitação
E eu fico aqui vou te levando nessa dança
Sobre o mundo
Pode tudo do amor
Pode tudo do amor

Porque eu não quero teu ciúme que é o cúmulo
Ciúme é o acúmulo de dúvida, incerteza de si mesmo, projetado
Assim jogado como lama anti-erótica na cara do desejo mais intenso de ficar com a pessoa
Eu não to a toa
Eu sou muito boa
Eu sou muito boa pra vida
Eu sou a vida oferecida como dança
E eu não quero "te dar gelo"
Diabos que o carregue
Vê se aprende, se desprende
Vem pra mim que sou a esfinge do amor
Te sussurrando
Decifra-me, decifra-me

Só deixo minha alma, só deixo o coração
Só deixo minha alma na mão de quem pode
Só deixo minha alma, só deixo meu coração
Na mão de quem ama solto!

Eu vou dizendo que só deixo minha alma
Só deixo meu coração na mão de quem pode fazer dele erótico suporte
Pra tudo que é ótimo fator vital.


TH - Se postasse 2 segundos antes, será que seria outra música?



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Quarta-feira, Setembro 26, 2007

MÚSICA DA SEMANA
Uma das inúmeras funções da música em nossa vida sem dúvida é aproximar as pessoas. Graças a essa maravilhosa arte conheci um cara de muita sensibilidade musical que se tornou um grande amigo, ainda que esteja morando em Brasília, DF.
Em seu blog (Blog do Bibico - endereço ao lado) ele me citou como o apresentador da cantora Bruna Caram. Retribuo o carinho aqui mostrando essa maravilha que ele me fez conhecer: a cantora amazonense Eliana Printes. Mais uma riqueza nacional que tenho o prazer de compartilhar com todos. Dentre suas músicas, essa é a que, de fato mais me tocou.
Valeu Fabiano Telles! Valeu Eliana!



Por Onde
Eliana Printes. Composição: Kleber Albuquerque

Por onde passará o amor, se a ponte quebrar?
Será que vai por água abaixo ou aprende a voar?
Se vai voar até o infinito
Se esquecer de continuar
Ou vai fincar o pé na margem e acenar
Para um ponto qualquer no horizonte
Ou vai descer o rio até chegar no mar
Ou se o amor é a própria ponte
Amor, me diga
Ai, Amor, me conte

Por onde passará o amor, se a ponte quebrar?
Será que vai por água abaixo ou aprende a voar?
Se vai pagar pra ver a flor do abismo desabrochar
Ou vai se consumir até se consumar
Ou vai cair em si do último andar
Saí sem ter paradeiro nem hora pra chegar
Vou conhecer o mundo inteiro e se você chamar
Com meu cavalo ligeiro volto pra te buscar

Por onde passará o amor, se a ponte quebrar?
Por onde passará o amor, se a ponte quebrar?


TH - Como é que se faz pra sair da ilha? Pela ponte, pela ponte...



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Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Na PauTHa
Periodicamente, um tema nos dedos afiados de TH



SÊ FELIZ, ADRIELE!!
Divagações sobre as omissões dos homens contemporâneos

"Sou Mais Forte Que Eu" Clarice Lispector
"Valeu a Pena, ser Pescador de Ilusões" Yuka



Adriele é uma verdadeira caçadora. Viaja o mundo procurando sempre se sobressair perante seus próprios desafios e eventuais maus presságios, e com garra e determinação, consegue faze-lo louvadamente. Enfrenta grandes batalhas, corre riscos, persegue instintos, tudo baseado em seu conhecimento e técnicas desenvolvidas. Caçar não para se alimentar, ou pra obter méritos e premiações como a melhor caçadora. Suas caçadas tem um grande fim: seguir à risca sua natureza e ser o objeto determinante de sua existência. Ela nasceu caçadora, assim como os gatos, está em suas veias, seu gene, em sua índole.

Na verdade, Adriele é uma funcionária pública, trabalhando dois expedientes num órgão do Estado, ganhando dois salários mínimos. Usa óculos, é magra e baixa, e já passou dos 40 anos. As colegas de repartição normalmente tripudiam de suas histórias incoerentes de caçadas, de viagens por entre florestas selvagens e à savana africana. Riem mais ainda dos bichos que alega ter abatido nas aventuras. Mais ainda quando afirma categoricamente que faz isso por conta de sua natureza. Ora, uma mulher tão desinteressante, feia, um tanto parada e moleirona, uma caçadora? Chega a ser um contraste ridículo. Por que não catastrófico? Adriele, na boca de suas colegas e de sua chefa, que não perde a oportunidade de gozá-la e humilha-la, lembrando sempre onde de sua insubordinação e rindo de sua imaginação fértil, é nada mais do que uma grande piada de expediente.

Pessoas perdem tempo demais enraizadas em suas mais profundas mediocridades. Essa é conclusão que muita gente enfatizaria ao ouvir os casos de Adriele, achando que ela não gira bem, que sua vidinha de funcionária do Estado que não cresce nem ascende lhe proporcionou, dentre outros maus típicos da classe média baixa (falta de dinheiro) a caduquice antecipada. Ela sonhou tanto que se tornou uma maluca, uma lunática. Sonhos nos dias de hoje, na mente dos “contemporâneos”, deve estar ligados a algo que seja financeiramente bem rentável, que nos dê dinheiro e ponto. O prazer se tornou terceiro ou quarto plano. Grana e status, primeiro e segundo. No entanto, esse pensamento pseudo-capitalista cada vez mais constante é o que realmente vicia a conduta humana. Não vim aqui falar das ações de seres ínfimos como estes. E sim das omissões de gente como Adriele e muito mais.

Seria uma grande hipocrisia dizer que dinheiro hoje em dia não é importante, é claro que é. É fundamental, é necessário, é essencial. Querer sempre ganhar dinheiro não é errado. O que se questiona é uma inversão verdadeira de valores que vem se protraindo no mundo globalizado há muito. Verificamos essa prática, por exemplo, no caso de autores Best Sellers de livros. Não vejo, com seletíssimas exceções, trabalhos desenvolvidos com alma por eles. Presencio um compromisso de grandes vendagens, que estaria a frente de todo e qualquer sentimento que brote de suas entranhas. Não consigo visualizar, contudo, aquilo que fez de Clarice Lispector uma memorável escritora, ou seja, um trabalho com espírito, dedicado, fruto de uma alma linda e perturbada ao mesmo tempo. Autores de verdade devem ter seus sentimentos a ponto de se exteriorizar, de brotar, de ser posto pra fora. Isso é que faz de Clarice grande. Suas vendagens são naturalmente por conseqüência dessa sua grandeza.

Adriele tem todo direito de seguir seu instinto. Ninguém é grande o bastante pra contrariá-la, sua chefa na verdade é quem é pequena demais. Seu dinheiro subiu-lhe à mente, aliado a suas propinas recebidas por apropriação indébita, tudo fruto dos cofres públicos. Essa chefa nada mais é do que a imagem do mundo globalizado, peçonhento e mesquinha, destituído de valores e de sonhos abstratos (mas querendo muito ser concretos). Adriele é uma caçadora e não há nenhuma pessoa competente demais para lhe dizer o contrário. Adriele é o que normalmente falta às pessoas, é a mais visível imagem da fé que tanto carece aos seres humanos. Uma fé diferente, não a das religiões ou igrejas. Mas uma fé que temos em nosso coração.

Tal fé vê-se muito nos pequenos corações infantis. As crianças tem uma maneira incrível de exteriorizar seus sentimentos, de maneira bem corajosa e despretensiosa. Elas podem ser tudo o que querem. Elas podem ser cowboys, astronautas, miss universo, médicos, caçadores. Acredito muito que, quando crianças, nossos instintos desde cedo mostram muito do que realmente somos. Já disseram uma vez que as crianças são naturalmente malvadas, tem uma péssima índole e que isso era visto quando trocavam insultos recheados de preconceitos umas com as outras. Faço questão de discordar disso e apontar que a idéia dessa maldade está inserida na outra idéia, de que os homens devem sempre agir de acordo com suas individualidades. É nisso que vemos então um excesso de falsidades simpáticas, gente que cumprimenta de uma maneira altamente artificial e risível, só pra “fazer o social”. Prefiro a naturalidade e pureza das crianças, desculpem.

Minha cara Adriele, tenho certeza que quando criança eras vívida por ser caçadora. Acredito muito que nas brincadeiras de grupo eras sempre a mocinha desbravada, que salvava seus amiguinhos e tinha como mérito, antes que fazer justiça, o orgulho de ser assim tão imponente e importante. Nada mais justo contigo do que persistir nesse lindo sonho depois de adulta. Está sempre nessa fé de que tudo pode acontecer a nossa razão de viver, de existir. Não censure suas lágrimas se preciso, mas também não ligue pra línguas maldosas e seja sempre honesta consigo. Vá em frente.


TH - Um verdadeiro "Adrielo"



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Sábado, Setembro 15, 2007

MÚSICA DA SEMANA
Andei sem tempo (e inspiração) de criar o próximo Na PauTHa, mas prometo-o pra quanto antes. São essas mudanças na minha rotina...
Falando em mudanças, deixo essa semana uma música que tem tudo a ver, que tem como premissa dizer que não basta mudar de vida, temos que aproveitar cada sabor de cada etapa até atingirmos nosso objetivo. Ou seja, o segredo não é uma mera metamorfose, e sim aprender com todos os passos dados para alcançá-la...



Metamorfose Ambulante
Raul Seixas

Prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Quero dizer
Agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Sobre o que é o amor
Sobre eu que nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor, lhe tenho horror
Lhe faço amor, eu sou um ator

É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo



TH - Tô fora! [Disso de ter a velha opinião formada sobre tudo]



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Quinta-feira, Setembro 06, 2007

MÚSICA DA SEMANA
Presente é algo muito bom de ganhar. Como todo mundo, eu prefiro receber do que dar, mas os melhores presentes, concluí, são aqueles em que o prazer não está em receber, mas sim em retribuir reciprocamente. São os mais deliciosos e incríveis.
Recebi, um tempo atrás, um presente muito bom não apenas de ganhar, mas de aproveitar e contemplar diariamente.
Manter esse presente junto será minha meta pra sempre...não é Ivan Lins?



Vieste
Ivan Lins

Vieste na hora exata
Com ares de festa
E luas de prata
Vieste com encantos
Vieste com beijos silvestres
Colhidos pra mim
Vieste como a natureza
Com mãos camponesas
Plantadas em mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens pra dentro de mim
Meu amor
Vieste a hora e a tempo
Soltando meus barcos
E velas ao vento
Vieste me dando o alento
Me olhando por dentro
Velando por mim
Vieste de olhos fechados
Num dia marcado
Sagrado pra mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens
Pra dentro de mim
Meu amor...


TH - 1 ano!



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